13/08/2026 22h25 | Por: Redação/teixeiraurgente
A exoneração da então secretária municipal de Saúde de Teixeira de Freitas, Sloane Gomes Ferreira do Carmo, ocorreu em meio a um procedimento administrativo que apura a retirada de medicamentos e outros insumos pertencentes à rede pública de saúde para uma empresa privada.
Segundo documentos encaminhados à Procuradoria-Geral do Município, Sloane teria autorizado, em 5 de novembro de 2025, a saída de um lote de medicamentos do estoque do Sistema Único de Saúde (SUS) para a empresa Medkar, que atua no comércio farmacêutico.

O caso passou a ser formalmente investigado depois que o município identificou que parte dos produtos não teria sido devolvida dentro do prazo estabelecido. Os documentos também apontam inconsistências em notas fiscais e a ausência de determinados lançamentos no Sistema Integrado de Gerenciamento da Assistência Farmacêutica (SIGAF).
Em 13 de fevereiro de 2026, a Chefia de Governo encaminhou à Procuradoria-Geral do Município documentos e informações relacionados ao caso. O material teria sido elaborado a partir de relatórios apresentados pela atual Secretaria Municipal de Saúde, com dados do Almoxarifado Central e da Central de Assistência Farmacêutica.
Entre os produtos citados na documentação estão medicamentos de uso hospitalar, incluindo antibióticos, anestésicos, anticoagulantes e enoxaparina.

A partir das informações, foi instaurada a Sindicância nº 14/2026, por meio da Portaria PGM nº 33, de 5 de março de 2026. O procedimento tem como finalidade apurar as condutas descritas no Processo Administrativo nº PMTF-PR-10471/2026.
A investigação busca esclarecer em quais circunstâncias os medicamentos e insumos foram retirados do estoque público, qual justificativa foi apresentada para o empréstimo, se houve autorização administrativa adequada e por que parte dos materiais não teria sido devolvida no prazo estabelecido.
Também deverá ser analisado se a operação provocou algum prejuízo ao patrimônio público e quais agentes participaram ou autorizaram a retirada dos produtos.
Como o procedimento ainda está em andamento, eventual irregularidade ou responsabilidade dos envolvidos ainda não pode ser considerada definitivamente comprovada.
Durante manifestações em uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara de Vereadores, nesta semana, Sloane Gomes afirmou não compreender o motivo que teria levado à sua exoneração do cargo de secretária de Saúde.

Os documentos que deram origem à sindicância, entretanto, apontam que a saída da então gestora ocorreu em um contexto de questionamentos relacionados à destinação de medicamentos e insumos pertencentes à rede pública municipal.
A apuração deverá esclarecer, entre outros pontos, quem autorizou a retirada dos produtos, quais materiais foram destinados à empresa privada, se houve devolução integral e se alguma unidade da rede pública foi prejudicada pela operação.
A sindicância ainda precisa reunir documentos, ouvir os envolvidos e analisar as circunstâncias do caso antes de chegar a uma conclusão.
Se forem identificadas irregularidades, os responsáveis poderão responder nas esferas administrativa e civil. Caso a investigação encontre elementos que indiquem a prática de crime, também poderá haver responsabilização na esfera penal.
A Prefeitura de Teixeira de Freitas informou que busca esclarecer os fatos e adotar as medidas necessárias para preservar o patrimônio público e garantir que medicamentos e insumos adquiridos com recursos públicos sejam utilizados de acordo com as finalidades previstas pelo SUS.
O espaço permanece totalmente aberto para que a ex-secretária, ou sua assessoria, possa enviar esclarecimentos, notas oficiais ou sua versão dos fatos a respeito de quaisquer questionamentos ou polêmicas recentes.