Festa do Café é do povo ou dos produtores? Declaração de presidente de sindicato reacende debate em Itabela


23/07/2026 18h05 | Por: Redação/teixeiraurgente

A declaração do presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Itabela, Paulinho Grassi, de que a Festa do Café pertence aos produtores rurais, e não ao povo, reacendeu um debate na cidade e provocou diversas manifestações nas redes sociais.

A discussão ganhou força porque, ao longo das últimas décadas, a Festa do Café passou por transformações e deixou de reunir apenas atividades voltadas ao agronegócio. Atualmente, o evento também é conhecido pela programação cultural, pelos shows musicais e pela grande participação popular.

Embora integrem a mesma programação, a Feira do Agronegócio e a Festa do Café possuem características distintas.

A feira é tradicionalmente voltada à exposição de máquinas, equipamentos, tecnologias, animais e negócios ligados à cafeicultura e ao setor produtivo. O espaço reúne produtores rurais, empresários, instituições e investidores, com foco no fortalecimento da atividade agrícola e no desenvolvimento econômico da região.

Já a Festa do Café corresponde à programação cultural do evento, marcada por apresentações musicais, manifestações culturais e atividades abertas ao público. Ao longo dos anos, essa programação contou com investimentos do poder público municipal para viabilizar a contratação de artistas nacionais e regionais, oferecendo entretenimento gratuito para milhares de moradores e visitantes.

É justamente essa distinção que está no centro do debate.

Enquanto a feira é reconhecida pelo seu caráter técnico e empresarial, a programação festiva tornou-se um dos principais eventos populares de Itabela, reunindo milhares de pessoas em espaços públicos para celebrar uma tradição consolidada no calendário do município.

Após a declaração do presidente do sindicato, moradores passaram a questionar nas redes sociais qual seria, de fato, o papel da população na construção da identidade da Festa do Café. Entre os comentários, há quem defenda que a feira representa legitimamente os produtores rurais, enquanto a festa, pela participação popular e pelo histórico de investimentos públicos, também integra o patrimônio cultural da cidade.

A discussão também traz à tona outro tema: o uso da marca “Festa do Café“. Independentemente de questões relacionadas ao registro da marca ou à organização do evento, o debate evidencia diferentes interpretações sobre a identidade da festa e sobre quem representa sua trajetória ao longo dos anos.

O debate está lançado e deve ganhar novos capítulos nos próximos dias. Mais do que discutir quem organiza o evento, a questão que agora mobiliza Itabela é outra: afinal, a Festa do Café pertence apenas aos produtores rurais ou também faz parte do patrimônio cultural e popular de toda a população?